Captura de tela de videoconferência com o painel de vinte participantes de órgãos federais, estaduais, municipais e do setor privado, com as janelas de vídeo desfocadas.
16 de julho de 2020 — reunião de operacionalização da Lei Aldir Blanc com o Ministério do Turismo, reunindo União, estados, municípios e setor privado na mesma chamada.
Resumo executivo

Em 2020, a pandemia interrompeu de uma vez toda a cadeia produtiva da música: shows cancelados, aulas suspensas, lojas fechadas, fabricação parada e serviços sem demanda. Para milhares de empresas, profissionais e espaços culturais, a renda simplesmente desapareceu.

A resposta legislativa veio com o PL 1.075/2020, de iniciativa parlamentar, que destinava R$ 3 bilhões em ações emergenciais ao setor cultural. Para que a proposta avançasse e chegasse a quem precisava, a FREMÚSICA — Frente Parlamentar em Defesa da Indústria da Música, da qual a ANAFIMA é parte ativa — organizou a mobilização da cadeia da música.

Entre março e agosto de 2020, essa mobilização seguiu uma sequência clara: escutar o setor, organizar as demandas, mobilizar o Congresso, acompanhar a tramitação, orientar a cadeia e fiscalizar a execução. No dia da votação na Câmara, em 26 de maio de 2020, foram 513 envios individualizados aos deputados. A Lei 14.017/2020 — a Lei Aldir Blanc — foi sancionada em 29 de junho de 2020.

O contexto

Quando a música parou, a renda parou junto.

A cadeia produtiva da música vive de circulação: o show que contrata o músico, a locadora de áudio e luz, o técnico que monta o palco; a aula que sustenta o professor e movimenta a loja de instrumentos; a fábrica que produz o que o varejo vende. Em março de 2020, tudo isso parou ao mesmo tempo.

Diferentemente de outros setores, boa parte da cadeia da cultura não tinha a quem recorrer: profissionais autônomos, microempreendedores, pequenos espaços culturais e empresas de eventos ficaram sem receita e sem previsão de retorno.

O setor precisava de uma resposta emergencial — e precisava que essa resposta fosse desenhada com conhecimento de quem vive da música, para alcançar empresas, profissionais e espaços reais da cadeia.

A mobilização

Seis movimentos, de março a agosto de 2020.

A FREMÚSICA organizou a atuação do setor em uma sequência de trabalho contínua — da escuta dos afetados à fiscalização da execução dos recursos.

01

Escutar

Levantamento direto com empresas, profissionais e espaços da cadeia da música sobre o tamanho da parada: quem havia perdido renda, quanto e com que urgência.

02

Organizar

As demandas dispersas do setor foram consolidadas em pauta única, com dados e prioridades claras, para que o Congresso recebesse um retrato fiel da cadeia produtiva.

03

Mobilizar

Em 26 de maio de 2020, dia da votação do PL 1.075/2020 na Câmara, a FREMÚSICA realizou 513 envios individualizados aos deputados, levando a realidade da cadeia da música a cada gabinete.

04

Acompanhar

Da aprovação na Câmara à votação no Senado e à sanção da Lei 14.017/2020, em 29 de junho de 2020, o setor acompanhou cada etapa da tramitação.

05

Orientar

Com a lei sancionada, a mobilização passou a orientar empresas, profissionais e espaços culturais sobre como acessar a renda emergencial e os editais.

06

Fiscalizar

O setor seguiu atento à operacionalização e à execução dos recursos por União, estados e municípios, para que o dinheiro chegasse à ponta.

Da lei ao recurso na ponta

Aprovar era metade do caminho — o resto era operacionalizar.

Sancionada a Lei 14.017/2020, os R$ 3 bilhões precisavam sair do texto legal e chegar a empresas, profissionais e espaços culturais em todo o país — uma operação inédita envolvendo União, estados e municípios.

Em 16 de julho de 2020, a ANAFIMA, por seu presidente, à frente do Conselho Consultivo da FREMÚSICA, participou da reunião de operacionalização com o Ministério do Turismo, que reuniu na mesma videoconferência os entes federativos e o setor privado para destravar a execução da lei.

Em agosto de 2020 veio a regulamentação, editada pelo governo federal por meio do Decreto 10.464/2020 — e a mobilização do setor seguiu no acompanhamento da execução, orientando a cadeia e cobrando que o recurso chegasse à ponta.

O resultado

Renda emergencial para a cadeia — trabalho preservado no Brasil.

A Lei Aldir Blanc levou renda emergencial a empresas, profissionais e espaços da cadeia da cultura no momento em que a atividade estava integralmente parada.

Para a cadeia da música, isso significou fôlego para atravessar a paralisação: espaços que não fecharam de vez, profissionais que puderam permanecer na atividade, empresas que preservaram estrutura e equipes para a retomada.

O resultado, no enquadramento que orienta toda a atuação da ANAFIMA, é direto: empresas e espaços culturais em condições de atravessar a crise significam trabalho e renda preservados no Brasil.

A lei nasceu de projeto parlamentar e foi construída por muitas mãos — Congresso, governo, entidades e sociedade civil. A mobilização da cadeia da música ajudou a aprová-la e a operacionalizá-la. É esse o papel de uma representação institucional: garantir que, nas decisões que afetam o setor, a realidade de quem vive da música esteja na mesa.

Linha do tempo

Como a mobilização avançou.

  1. Março a maio de 2020
    Escuta e organização do setor
    Com a cadeia produtiva da música parada pela pandemia, a FREMÚSICA — com a ANAFIMA como parte ativa — escuta os afetados e consolida as demandas do setor em pauta única.
  2. 26 de maio de 2020
    Votação do PL 1.075/2020 na Câmara
    No dia da votação, a FREMÚSICA realiza 513 envios individualizados aos deputados, levando a realidade da cadeia da música a cada gabinete. O projeto, de iniciativa parlamentar, é aprovado.
  3. Junho de 2020
    Senado aprova a destinação de R$ 3 bilhões
    O Senado Federal aprova a destinação de R$ 3 bilhões em ações emergenciais ao setor cultural, e a matéria segue à sanção.
  4. 29 de junho de 2020
    Sanção da Lei 14.017/2020
    É sancionada a Lei Aldir Blanc, que garante renda emergencial a empresas, profissionais e espaços da cadeia da cultura.
  5. 16 de julho de 2020
    Reunião de operacionalização com o Ministério do Turismo
    União, estados, municípios e setor privado na mesma videoconferência para destravar a execução da lei — com a participação da ANAFIMA pela FREMÚSICA.
  6. Agosto de 2020
    Regulamentação e execução
    O governo federal regulamenta a lei (Decreto 10.464/2020). A mobilização do setor segue orientando a cadeia e acompanhando a chegada dos recursos à ponta.
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A ANAFIMA reúne empresas, profissionais e instituições que acreditam em representação, inteligência setorial e articulação pública para desenvolver a música no Brasil.